
A dengue costuma ser lembrada pelos sintomas clássicos: febre alta, dor no corpo e dor atrás dos olhos. Mas estudos recentes vêm reforçando um aspecto pouco discutido: a doença também pode afetar o coração. Uma análise observacional com 427 pacientes, publicada no Brazilian Journal of Health Review, identificou alterações cardiovasculares em 19,7% dos casos, entre disfunção do músculo cardíaco, arritmias e distúrbios de condução. Em 1,9% dos pacientes foi diagnosticada pericardite, inflamação da membrana que envolve o coração.
A complicação mais estudada é a miocardite, inflamação do músculo cardíaco que pode aparecer durante ou depois da fase aguda da doença. Os sinais nem sempre são claros, mas cansaço excessivo, palpitações, falta de ar e dor no peito durante ou nas semanas seguintes à infecção merecem atenção, principalmente em quem já tem histórico cardiovascular.
Os estudos apontam que os problemas cardíacos podem ocorrer em qualquer fase da dengue, e por isso a vigilância clínica precisa ir além do período de febre. Pesquisadores defendem uma abordagem multidisciplinar no manejo da doença, com atenção cardiológica especialmente em grupos mais vulneráveis. O dado desafia a ideia de que a dengue “termina” quando a febre passa: parte das complicações pode aparecer justamente quando a guarda já está mais baixa.
Mais um lembrete de que dengue não é uma virose comum. Prevenir a picada do Aedes aegypti continua sendo a forma mais eficiente de evitar tanto os sintomas iniciais quanto as complicações que podem vir depois. Eliminar criadouros e manter o controle contínuo do vetor reduz o risco antes que ele se transforme em caso clínico, e em complicação cardíaca.