
Em abril de 2026, durante a Cúpula Uma Só Saúde realizada em Lyon, na França, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço regional da OMS para as Américas, Jarbas Barbosa, afirmou que a dengue deixou de ser vista apenas como uma doença de países tropicais. Para a OMS, ela passou a ser um indicador global da relação entre mudanças climáticas e o avanço das arboviroses. Em 2024, as Américas registraram mais de 13 milhões de casos de dengue e mais de 8,4 mil mortes, números que reforçam a gravidade do cenário.
O debate ocorreu no contexto do conceito de Saúde Única, que parte do princípio de que a saúde humana não pode ser separada da saúde do meio ambiente. O aquecimento global, as chuvas irregulares, o desmatamento e a urbanização acelerada criam condições cada vez mais favoráveis para que mosquitos como o Aedes aegypti ampliem sua área de circulação e de transmissão. Não por acaso, regiões que historicamente tinham poucos registros da doença passaram a conviver com surtos nos últimos anos.
A resposta, segundo a organização, exige ação contínua e integrada: vigilância epidemiológica, cooperação entre países, acesso a vacinas e, sobretudo, controle do mosquito no ambiente doméstico e urbano. Enquanto o clima segue mudando, o Aedes aegypti acompanha e a proteção não pode ser sazonal.