Borra de café pode ajudar a combater as larvas do mosquito da dengue, aponta pesquisa da Unesp

20 de julho de 2026

A borra de café que sobra todos os dias em milhões de casas pode desempenhar um papel inesperado em pesquisas sobre o combate ao Aedes aegypti. Em condições controladas de laboratório, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) observaram uma alta mortalidade das larvas expostas a uma concentração específica do resíduo. O efeito apareceu tanto no contato direto com a borra depositada no fundo dos recipientes quanto apenas com a parte líquida da mistura.

A explicação está nos compostos da borra, como a cafeína e os diterpenos cafestol e kahweol, que se dissolvem parcialmente na água. A cafeína é produzida naturalmente pelas plantas de café como defesa contra insetos e age sobre o sistema nervoso das larvas. Estudos publicados no periódico Environmental Pollution mostram que mesmo doses menores reduzem a movimentação das larvas, atrasam o desenvolvimento e encurtam a vida dos mosquitos adultos.

Os resultados, porém, não significam que a borra de café seja uma solução doméstica comprovada para o controle do mosquito. Ela não é um inseticida registrado, sua eficácia depende de condições e concentrações específicas e seu uso não substitui a eliminação de criadouros, o monitoramento ou as demais medidas de prevenção.

Descobertas como essa ajudam a ampliar o conhecimento sobre substâncias com potencial larvicida, mas o controle do mosquito depende de várias frentes combinadas, incluindo prevenção, acompanhamento contínuo e tecnologias integradas de monitoramento.