Chikungunya cresce 364,9% na Bahia e expõe um cenário mais complexo para o controle das arboviroses

2 de outubro de 2026

A Bahia registrou 9.990 casos prováveis de chikungunya entre janeiro e 15 de setembro de 2026, um aumento de 364,9% em relação ao mesmo período de 2025. Duas mortes já foram confirmadas no estado.

No mesmo intervalo, os casos prováveis de dengue caíram 16,5%, enquanto os de zika apresentaram leve alta. O contraste é importante porque mostra que a evolução das arboviroses não acontece de forma uniforme, mesmo quando elas compartilham o Aedes aegypti como vetor.

Para os gestores municipais, isso altera a leitura do problema. Uma queda nos casos de dengue pode ser positiva, mas não significa, por si só, que a pressão das arboviroses diminuiu. Na Bahia, a chikungunya já foi notificada em 201 municípios, e 22 deles apresentam incidência superior a 100 casos por 100 mil habitantes.

Esse tipo de cenário exige uma visão mais ampla do território e decisões que não dependam de um único indicador epidemiológico. A circulação do vetor permanece relevante mesmo quando cada doença apresenta uma curva diferente.

Ampliar as opções de controle disponíveis em campo é uma estratégia interessante para cenários como o da Bahia. A Biotraps é uma armadilha que pode ser posicionada em pontos de foco. O produto cria um ambiente atrativo para a oviposição e mantém eficácia, em média, por até quatro semanas. Por ser biodegradável e discreta, pode ser incorporada a jardins e outras áreas externas como parte das ações de prevenção.

Mais do que acompanhar a queda ou a alta de uma única doença, o desafio é manter o olhar sobre o vetor e o território.