Dengue grave também é um desafio de gestão para o sistema de saúde

5 de outubro de 2026

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A cada 100 pacientes com dengue incluídos em um estudo internacional, 14 evoluíram para quadros moderados ou graves. A pesquisa, publicada na Nature Communications, reuniu 2.230 casos confirmados em oito países da Ásia e da América Latina, entre eles o Brasil. Do total, 304 pacientes tiveram evolução moderada ou grave, e 38 chegaram à forma grave.

A pesquisa avaliou como sinais clínicos e exames simples poderiam ajudar a reconhecer quais pacientes tinham maior risco de piora. Entre os fatores mais relevantes apareceram quedas em plaquetas, leucócitos e linfócitos, além de sintomas como vômitos persistentes e dor abdominal importante.     

Um ponto chama atenção: nos três primeiros dias da doença, a maior parte dos sinais e sintomas não mostrou diferença clara entre quem terá uma evolução sem complicações e quem pode desenvolver um quadro mais grave. Essas diferenças ficam mais evidentes ao longo dos dias, o que torna o acompanhamento clínico uma peça importante da resposta.   

Para os gestores, o impacto vai além do atendimento individual. A dengue também exige leitos, equipes, exames e capacidade de decisão em momentos de maior demanda. Segundo os autores, modelos de previsão como os testados no estudo podem antecipar a internação de pacientes de alto risco sem elevar de forma expressiva as internações de casos simples, um ponto sensível em regiões com muitos casos e recursos limitados.

Essa pressão reforça a necessidade de olhar para a dengue em todas as frentes. Se não é possível saber desde o início quais casos vão se agravar, cada exposição ao vetor evitada no território também contribui para aliviar a assistência. Por isso, o controle vetorial precisa contar com soluções complementares que ampliem as possibilidades de atuação das equipes. 

A Biotraps pode compor essa estratégia de forma complementar às ações já adotadas pelos municípios. Instalada em pontos estratégicos do território, cria um ambiente atrativo para a oviposição e atua nas fases de ovo, larva e adulto do Aedes aegypti, conforme rotulagem aprovada pela ANVISA. Com ativação por água, funciona em média por até quatro semanas sem manutenção e tem material biodegradável. O controle do mosquito também é parte do cuidado com o sistema de saúde.