Estudo brasileiro aponta que dengue pode aumentar em até 16 vezes o risco de síndrome neurológica grave 

20 de abril de 2026

Um estudo da Fiocruz Bahia, em parceria com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, publicado em abril de 2026 no New England Journal of Medicine, revelou uma dimensão da dengue que ainda passa despercebida: quem contrai a doença tem risco até 16,7 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré nas seis semanas seguintes à infecção. Nas duas primeiras semanas, esse risco pode chegar a 30 vezes.

A Síndrome de Guillain-Barré é uma condição neurológica em que o sistema imunológico ataca os próprios nervos periféricos. O resultado é uma fraqueza muscular que começa nas pernas, sobe para os braços e o rosto e, nos casos mais graves, compromete os músculos respiratórios. O paciente pode evoluir para paralisia total. A maioria se recupera, mas o processo pode levar meses ou anos. A pesquisa analisou mais de 5 mil hospitalizações por essa síndrome entre 2023 e 2024, identificando 89 casos diretamente associados a uma infecção recente por dengue.

Para cada 1 milhão de casos de dengue, aproximadamente 36 pessoas desenvolvem a síndrome, um risco raro. Esse número mudou de escala quando o Brasil registrou mais de 6 milhões de casos em 2024. E em 2026, o Brasil  já acumula mais de 238 mil casos prováveis. Os pesquisadores alertam que os sistemas de saúde precisam estar preparados para identificar casos de fraqueza muscular nas semanas seguintes a surtos, com leitos de UTI e suporte ventilatório disponíveis.

A dengue não termina quando a febre cai. As arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti deixam marcas que vão além da fase aguda, e é exatamente por isso que controlar a presença do mosquito no ambiente continua sendo a estratégia mais eficaz disponível.