
A maioria das pessoas sabe que a dengue é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Mas existe uma via de transmissão menos conhecida, discutida em uma revisão científica publicada em junho de 2026 no Brazilian Journal of Health Review: a transfusão de sangue. O estudo mostra que, durante os períodos de epidemia, doadores podem estar infectados pelo vírus da dengue sem apresentar sintomas. Mesmo assintomáticos, eles podem ter o vírus circulando na corrente sanguínea, o que cria um risco potencial de transmissão por meio da transfusão.
A triagem convencional de doadores é baseada em questionários clínicos e na identificação de sintomas. Nos casos de dengue assintomática, porém, esse processo não é suficiente para detectar o risco. Os pesquisadores destacam que os testes de ácido nucleico (NAT), capazes de identificar diretamente o material genético do vírus, representam a estratégia mais eficaz para aumentar a segurança dos estoques de sangue durante surtos. No Brasil, a Anvisa já estabelece critérios de inaptidão temporária para doadores: 30 dias após casos de dengue clássica e 180 dias após dengue grave. Ainda assim, os autores ressaltam que a subnotificação de infecções assintomáticas reduz a efetividade dessas medidas.
O principal alerta do estudo vai além da segurança dos bancos de sangue: quanto maior a circulação do vírus em uma região, maior o risco em diferentes frentes, incluindo a transmissão transfusional. Esse cenário reforça a importância de reduzir a circulação do Aedes aegypti por meio de estratégias integradas de manejo, que incluem o monitoramento do vetor como parte das ações de vigilância. Menos mosquitos infectados significam menos casos de dengue e, consequentemente, menor pressão sobre todo o sistema de saúde.