Estudo investiga possível transmissão de vírus do mosquito da dengue aos próprios descendentes  

3 de agosto de 2026

Estudo publicado em 2026 na revista BMC Biology mostrou que fêmeas do Aedes aegypti infectadas podem transmitir vírus como dengue, zika e chikungunya aos seus descendentes, fenômeno chamado de transmissão vertical. Diferentemente da transmissão horizontal, que depende da picada em uma pessoa infectada, nesse caso alguns descendentes podem chegar à fase adulta carregando o vírus recebido da própria mãe.

Para o experimento, os pesquisadores utilizaram fêmeas de uma população de Aedes aegypti originada de ovos coletados em Havana, Cuba, que foram alimentadas com sangue contendo o vírus da dengue tipo 1, zika ou chikungunya, e examinaram os descendentes logo após a chegada à fase adulta.

Entre as filhas de fêmeas infectadas, foram encontradas amostras de saliva positivas para chikungunya e zika. No caso da dengue, nenhuma amostra de saliva apresentou o vírus, mas ele foi encontrado na cabeça de parte dos descendentes, confirmando a transmissão aos descendentes, mas não a capacidade de transmiti-lo pela picada.

O estudo foi realizado em condições controladas e utilizou um número limitado de mães infectadas e descendentes, sem testes em animais que confirmassem se a carga viral encontrada na saliva seria suficiente para causar infecção. Por isso, os resultados não comprovam que a transmissão vertical, sozinha, seja capaz de iniciar ou manter surtos, mas ajudam a entender como os vírus podem persistir nas populações de mosquitos entre diferentes períodos de transmissão, já que os ovos do Aedes aegypti resistem à dessecação e podem sobreviver em condições ambientais desfavoráveis.

Os achados reforçam que a prevenção não deve começar apenas quando os casos aumentam. A eliminação de criadouros e o acompanhamento dos locais de postura precisam continuar mesmo nos períodos de menor circulação das doenças.

Dentro do manejo integrado, ferramentas complementares de monitoramento, como as armadilhas Biotraps, ajudam a acompanhar a presença do Aedes aegypti em pontos estratégicos, apoiando ações preventivas e complementando as inspeções realizadas nos locais.