
Por muito tempo, a dengue foi vista como um problema concentrado nas regiões sudeste, Centro Oeste, Norte e Nordeste do país. Um estudo publicado em setembro de 2025 na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, desenvolvido por pesquisadores brasileiros, muda esse cenário. As projeções mostram que, no atual ritmo de emissões de gases de efeito estufa, a população do Aedes aegypti nas regiões Sul e Sudeste pode crescer 89% e 92%, respectivamente, até 2080, enquanto no Norte o calor extremo deve reduzir a presença do mosquito, que não sobrevive bem acima de determinadas temperaturas.
O mecanismo é direto: o Aedes aegypti se reproduz melhor em temperaturas entre 22°C e 32°C. Com o aquecimento global, regiões do Sul que antes apresentavam invernos frios o suficiente para limitar o mosquito passam a oferecer condições favoráveis por mais meses do ano. Cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que registraram surtos pontuais nas últimas temporadas, tendem a enfrentar esse problema com mais frequência e intensidade nas próximas décadas.
A dengue não é mais uma doença regional. A expansão geográfica do vetor exige que municípios historicamente menos afetados se preparem com antecedência, tanto na estrutura de saúde pública quanto no monitoramento ambiental. Esperar o primeiro surto para agir já é tarde demais.