Estudos apontam a capacidade de transmissão transovariana do vírus dengue: essa adaptação demonstra que novas gerações de mosquitos já  são infectadas com o vírus.

20 de fevereiro de 2026

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Você já imaginou que um mosquito pode nascer infectado? Um estudo recente conduzido pela Universidade Federal de Goiás confirmou a ocorrência de transmissão vertical, também chamada de transmissão transovariana, os vírus da Zika e da Chikungunya em Aedes aegypti. Isso significa que a fêmea infectada consegue transmitir o vírus diretamente aos seus ovos.

Na prática, os pesquisadores coletaram ovos do mosquito em Goiânia, criaram esses insetos em laboratório até a fase adulta e analisaram a presença de vírus por meio de testes moleculares. O resultado mostrou que parte desses mosquitos já carregava o vírus Zika e o vírus Chikungunya antes mesmo de picar qualquer pessoa. Ou seja, eles já nasciam potencialmente capazes de transmitir a doença.

Esse achado ajuda a explicar por que surtos podem aparecer rapidamente após períodos de seca. Os ovos do Aedes aegypti conseguem resistir por meses sem água. Se estiverem infectados, quando encontrarem condições favoráveis e eclodirem, dão origem a mosquitos que já carregam o vírus. Não é necessário que piquem alguém doente para iniciar um novo ciclo de transmissão.

Essa informação reforça um ponto essencial no combate às arboviroses: controlar apenas o mosquito adulto não é suficiente. É fundamental interromper o ciclo ainda na fase inicial, reduzindo ovos e larvas antes que se transformem em novos vetores.

É justamente nesse momento que a armadilha biodegradável Biotraps ganha relevância. Ao capturar e eliminar ovos e larvas, ela ajuda a interromper o ciclo antes do nascimento do mosquito. Considerando que esses ovos já podem carregar o vírus, agir na origem do problema torna-se ainda mais estratégico.

Prevenção é inteligência aplicada ao ciclo do mosquito. Quanto antes interrompemos esse processo, menor é o risco de novas transmissões.