
Um estudo publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, desenvolvido por pesquisadores da Rede de Vigilância em Saúde Ampliada (Revisa) a partir de um surto em Manaus, mostrou que a febre do Oropouche e a dengue têm sintomas muito semelhantes: febre, dores no corpo e mal-estar, mas apresentam diferenças importantes. No Oropouche, a dor de cabeça tende a ser mais intensa, as dores articulares são mais frequentes e as manchas na pele mais disseminadas. Já na dengue, é mais comum a queda de plaquetas, risco de sangramentos e, nos casos graves, choque.
A febre do Oropouche é transmitida pelo maruim, o mosquito-pólvora (Culicoides paraensis), e não pelo Aedes aegypti. Isso torna seu controle mais difícil, já que o maruim se reproduz em ambientes naturais úmidos e ricos em matéria orgânica, diferente do Aedes, que prefere água parada em ambiente urbano. Antes restrita à Amazônia, a doença passou a ser registrada em outros estados brasileiros a partir de 2024.
“Quando duas doenças têm sintomas tão parecidos e circulam juntas, o diagnóstico clínico fica ainda mais difícil. Por isso, impedir que o mosquito prolifere, continua sendo a medida mais eficaz, e mais acessível, para a população.” Afirma, Cristiano Fernandes, Diretor Técnico da Biotraps Brasil.
Para os pesquisadores, mais importante do que diferenciar as duas doenças pelos sintomas é reconhecer rapidamente os sinais de gravidade: dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ou piora progressiva do estado geral. Nesses casos, a recomendação é buscar atendimento médico imediatamente, especialmente para gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.