
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (08/06/2026) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV no SUS. A medida foi adotada em conjunto com a Anvisa sob o princípio da precaução, após a notificação de 42 Eventos Adversos Supostamente Atribuíveis a Vacina contra a Dengue produzida pelo Butantan – DV com o registro de sinais de alerta (como dor abdominal intensa e sangramento) e dois óbitos, em um universo de aproximadamente 500 mil doses aplicadas desde janeiro.
Do ponto de vista técnico e regulatório, é fundamental separar correlação temporal de causalidade. Até o momento, não há confirmação científica de que os eventos adversos foram causados pelo imunizante. A suspensão é um protocolo padrão de farmacovigilância para permitir que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan conduzam uma investigação rigorosa e transparente.
A Butantan-DV utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado: o organismo recebe uma versão enfraquecida do patógeno para criar memória imunológica. Durante esse processo, pode ocorrer a chamada viremia vacinal — replicação temporária e esperada do vírus no corpo, com pico por volta do 9º dia e duração de até 21 dias. O foco da investigação é entender se os casos graves notificados são uma resposta atípica a essa viremia ou se possuem outras causas associadas.
Vale destacar que a paralisação preventiva não invalida o histórico científico do imunizante. Estudos de fase 3, publicados em revistas científicas internacionais de alto impacto, atestam uma eficácia geral de 79,6% e uma proteção de 89% contra casos graves. Além disso, o monitoramento em municípios que realizaram vacinação em massa (como Botucatu-SP, Maranguape-CE e Nova Lima-MG) não registrou anomalias estatísticas na população geral.
O Instituto Butantan já reafirmou seu compromisso de fornecer dados para apoiar os órgãos reguladores. Enquanto a investigação avança, a orientação oficial é clara: pessoas vacinadas nos últimos 21 dias que apresentem febre associada a sinais de alarme devem buscar atendimento médico imediato, informando a data da vacinação.
Na gestão de saúde pública, a segurança e a eficácia caminham juntas. A suspensão não é um veredito de falha, mas a prova de que os sistemas de vigilância epidemiológica do país estão ativos e operantes.