Hantavírus em alta reforça atenção ao diagnóstico diferencial com a dengue

18 de maio de 2026

Reuters

Nas últimas semanas, o hantavírus voltou ao noticiário. A OMS confirmou um surto em um cruzeiro saído da Argentina e do Chile, com 8 casos da cepa Andes, única variante com transmissão entre humanos, e 3 óbitos. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 7 casos em 2026 e 1 morte em Minas Gerais, sem relação com o surto. E acendeu um alerta: a doença pode ser confundida com a dengue nos primeiros dias.

A hantavirose é transmitida pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores silvestres, comum em áreas rurais e locais fechados. Os sintomas iniciais: febre alta, dor de cabeça e dores musculares, se parecem com os da gripe e da dengue. Dias depois surgem sinais respiratórios: tosse seca, falta de ar, batimentos acelerados e queda de pressão. A evolução é rápida e a letalidade, alta.

Infectologistas reforçam um ponto clínico: o protocolo da dengue prevê hidratação intensa, oposto do que o paciente com hantavirose precisa. Como a doença evolui para quadro pulmonar grave, o excesso de líquido pode agravar a insuficiência respiratória. Informar o médico sobre exposição a roedores ou áreas rurais é determinante para o diagnóstico.

São doenças com vetores diferentes: dengue pelo Aedes aegypti, hantavirose pelos roedores, mas o princípio de combate é o mesmo: controle do ambiente. Eliminar criadouros, monitorar áreas de risco e manter vigilância contínua reduz a circulação antes que essas doenças cheguem ao consultório.