Mais de 2,4 milhões de criadouros eliminados ou tratados: o que a Costa Rica mostra sobre a escala do controle da dengue

11 de setembro de 2026

Controlar o Aedes aegypti exige uma atuação que se multiplica por milhares de casas, ruas e possíveis criadouros. Os dados recentes da Costa Rica ajudam a dimensionar esse desafio — e, para o Brasil, a leitura é ainda mais reveladora.

Até agosto de 2026, de acordo com o Ministério de Salud da Costa Rica, equipes do Programa de Controle de Vetores do país haviam visitado 396.517 residências, eliminado ou tratado mais de 2,4 milhões de criadouros e e realizado fumigação em 521.679 casas.

Para dimensionar o que isso significa: a Costa Rica tem cerca de 5,2 milhões de habitantes — menos que a cidade de São Paulo. Mesmo assim, precisou eliminar ou tratar mais de 2,4 milhões de criadouros em oito meses como parte das ações de controle da dengue.

Se um país desse porte precisa de uma operação dessa magnitude, a escala exigida do Brasil — um país continental, com mais de 200 milhões de habitantes e realidades regionais muito distintas — é incomparavelmente maior. É esse o tamanho do desafio que o controle vetorial enfrenta por aqui.

Os números também ajudam a ler o cenário com honestidade. No mesmo período, até a Semana Epidemiológica 32, a Costa Rica registrou 3.437 casos de dengue, contra 2.405 no mesmo período de 2025 — o que, considerando os valores divulgados pelo Ministério, corresponde a um aumento de cerca de 43%. A leitura correta não é a de que a operação falhou: é a de que, diante de um cenário de alta circulação, uma atuação contínua e de grande alcance sobre o vetor segue sendo fundamental. Controle vetorial não é evento — é rotina, e é justamente nos períodos de maior pressão que essa rotina faz a diferença.

Identificar e eliminar locais que acumulam água, atuar nas áreas com maior presença do vetor e manter ações de prevenção exige capacidade de chegar a diferentes pontos do território de forma recorrente.

É nesse contexto que ampliar os recursos disponíveis para o controle ganha importância. Tecnologias que possam ser incorporadas às ações de campo ajudam a criar novas possibilidades de atuação sobre o mosquito, especialmente em territórios extensos, densamente povoados e com diferentes realidades locais, como o Brasil. Nesse cenário, a Biotraps amplia o repertório de ferramentas disponíveis para o controle vetorial, oferecendo uma alternativa amiga do ambiente, que pode ser incorporada às rotinas de campo e somar novos recursos às ações sobre o Aedes aegypti.

Quando uma operação de controle chega a milhões de criadouros em um país pequeno, fica claro que controlar a dengue é também um desafio de escala. Quanto maior a capacidade de manter ações contínuas e direcionadas às diferentes realidades de cada território, maiores são os recursos disponíveis para reduzir as condições que favorecem a reprodução do Aedes aegypti.