
Quando se fala na relação entre o clima e a dengue, a chuva costuma receber mais atenção. Mas fenômenos como o El Niño, que alteram os padrões de temperatura e precipitação e podem provocar tanto períodos de chuva intensa quanto de seca em diferentes regiões, mostram que o risco não está ligado apenas ao excesso de água. Períodos de estiagem também podem criar condições favoráveis ao Aedes aegypti.
Um estudo publicado naThe Lancet Planetary Health, que aponta mais de 12,8 milhões de casos de dengue no Brasil, identificou aumento do risco após períodos de chuva intensa e também depois de secas prolongadas. Após chuvas, o efeito apareceu principalmente nos meses seguintes. Já nas secas, o impacto foi mais tardio e mais intenso em áreas urbanizadas com interrupções no abastecimento de água.
A explicação está no ambiente. Chuvas podem formar pontos de água acumulada. Durante a seca, o armazenamento de água em recipientes pode aumentar a disponibilidade de locais para a postura dos ovos.
Ou seja: ausência de chuva não significa ausência de risco.
Temperatura, urbanização, infraestrutura e disponibilidade de água também interferem na dinâmica do vetor. Por isso, o controle não deve começar apenas quando os casos aumentam ou quando chega o período tradicionalmente chuvoso.
A Biotraps pode integrar essa estratégia como ferramenta complementar de controle. Instalada em pontos estratégicos, atrai a fêmea grávida do Aedes aegypti, que entra em contato com o inseticida. Após a postura, as larvas também são atingidas pelo mecanismo de ação ainda no primeiro estágio aquático.
Em um cenário climático mais variável, controlar o Aedes aegypti exige antecipação. Mais do que reagir à chuva, é preciso compreender como cada território responde às mudanças de temperatura e disponibilidade de água.