
Pesquisadores do Instituto Federal do Ceará (IFCE), no campus de Acopiara, verificaram que o extrato da semente da graviola tem ação contra as larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da zika e da chikungunya. No estudo, publicado em 2025, concentrações muito baixas, em torno de 50 partes por milhão, foram suficientes para eliminar as larvas nas condições controladas do laboratório.
O efeito é atribuído às acetogeninas, um grupo de moléculas presente no extrato capaz de inibir enzimas essenciais ao metabolismo das larvas. Entre elas está a anonacina, que, segundo os pesquisadores, apresentou potencial larvicida até 20 vezes maior do que o de compostos já conhecidos, como o óleo essencial do cravo-da-índia. Outro ponto observado foi a rapidez, já que os extratos mostraram efeito nas primeiras seis horas de exposição.
Os resultados, porém, não significam que o extrato de graviola seja uma solução para o controle de larvas, mas demonstram seu potencial e a importância de estudos voltados ao controle do mosquito. A maior parte dos ensaios ainda acontece em laboratório, e os próprios pesquisadores destacam a necessidade de testes em ambientes reais, como caixas-d’água, depósitos e quintais com focos recorrentes, além da segurança do extrato para o uso em saúde pública. O extrato não é um larvicida registrado e seu uso não substitui a eliminação de criadouros, o monitoramento ou as demais medidas de prevenção.
Descobertas como essa reforçam a importância de buscar alternativas naturais e sustentáveis que reduzam a dependência de inseticidas químicos. Mas o controle efetivo do vetor em escala, em condomínios, escolas, empresas e áreas urbanas, exige camadas adicionais, como monitoramento contínuo do mosquito adulto, dados de infestação e resposta integrada.
É nesse contexto que ferramentas como as armadilhas Biotraps atuam de forma complementar ao manejo integrado de vetores, auxiliando na detecção e captura do Aedes aegypti em locais onde a ação manual, isoladamente, não é suficiente.