No Ceará, estudo testa extrato de semente de graviola contra larvas do mosquito da dengue em laboratório

27 de julho de 2026

Prof Alzeir Rodrigues em laboratório do campus Acopiara 

Pesquisadores do Instituto Federal do Ceará (IFCE), no campus de Acopiara, verificaram que o extrato da semente da graviola tem ação contra as larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da zika e da chikungunya. No estudo, publicado em 2025, concentrações muito baixas, em torno de 50 partes por milhão, foram suficientes para eliminar as larvas nas condições controladas do laboratório. 

O efeito é atribuído às acetogeninas, um grupo de moléculas presente no extrato capaz de inibir enzimas essenciais ao metabolismo das larvas. Entre elas está a anonacina, que, segundo os pesquisadores, apresentou potencial larvicida até 20 vezes maior do que o de compostos já conhecidos, como o óleo essencial do cravo-da-índia. Outro ponto observado foi a rapidez, já que os extratos mostraram efeito nas primeiras seis horas de exposição. 

Os resultados, porém, não significam que o extrato de graviola seja uma solução para o controle de larvas, mas demonstram seu potencial e a importância de estudos voltados ao controle do mosquito. A maior parte dos ensaios ainda acontece em laboratório, e os próprios pesquisadores destacam a necessidade de testes em ambientes reais, como caixas-d’água, depósitos e quintais com focos recorrentes, além da segurança do extrato para o uso em saúde pública. O extrato não é um larvicida registrado e seu uso não substitui a eliminação de criadouros, o monitoramento ou as demais medidas de prevenção. 

Descobertas como essa reforçam a importância de buscar alternativas naturais e sustentáveis que reduzam a dependência de inseticidas químicos. Mas o controle efetivo do vetor em escala, em condomínios, escolas, empresas e áreas urbanas, exige camadas adicionais, como monitoramento contínuo do mosquito adulto, dados de infestação e resposta integrada.

É nesse contexto que ferramentas como as armadilhas Biotraps atuam de forma complementar ao manejo integrado de vetores, auxiliando na detecção e captura do Aedes aegypti em locais onde a ação manual, isoladamente, não é suficiente.