
O N,N-dietil-meta-toluamida ou mais conhecido como DEET é o princípio ativo da maioria dos repelentes comerciais e considerado o padrão-ouro na proteção contra picadas de mosquitos há décadas. Um estudo publicado no Journal of Experimental Biology em maio de 2026 traz um dado que vai além da resistência química: mosquitos Aedes aegypti podem ser condicionados a associar o cheiro do DEET à presença de alimento, transformando o sinal de fuga em gatilho de ataque.
Os pesquisadores aplicaram o condicionamento pavloviano, expondo mosquitos ao DEET ao mesmo tempo em que se alimentavam de sangue, em quatro sessões repetidas. Mais de 60% dos insetos condicionados tentaram se alimentar quando expostos apenas ao aroma do repelente. Numa etapa seguinte, aproximadamente metade dos mosquitos treinados tentou picar uma mão coberta de DEET, enquanto os não condicionados a ignoraram completamente. “O cérebro do mosquito pode reescrever essa resposta com base na experiência. O que o inseto aprendeu importa tanto quanto o que a substância química faz”, afirmou Clément Vinauger, pesquisador responsável pelo estudo.
O experimento foi realizado em laboratório e seus resultados não podem ser aplicados diretamente ao comportamento de mosquitos em ambiente natural. Ainda assim, o achado indica que estratégias baseadas em um único mecanismo de proteção podem ter sua eficácia comprometida pelo aprendizado adaptativo do vetor, especialmente quando a concentração do repelente diminui ao longo do tempo de uso. A prevenção efetiva exige abordagem combinada: eliminação de criadouros, manutenção de ambientes protegidos e monitoramento contínuo, incluindo o uso de armadilhas como a Biotraps, que atuam de forma complementar.