O mosquito da dengue chegou à Europa e o primeiro surto vem em menos de 5 anos 

15 de maio de 2026

Durante décadas, a Europa acreditou que doenças como a dengue e a chikungunya eram problemas tropicais distantes. Mas um estudo publicado em 2025 no The Lancet Planetary Health, uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo, mudou essa narrativa com dados concretos: entre 1990 e 2024, o tempo entre a chegada do mosquito-tigre (Aedes albopictus) a uma região europeia e o primeiro surto de dengue ou chikungunya caiu de 25 anos para menos de 5. E o intervalo entre o primeiro e o segundo surto passou de 12 anos para menos de 1 ano.

O mosquito-tigre é primo do Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue, zika e chikungunya no Brasil. Ele chegou à Europa vindo do Sudeste Asiático e hoje está estabelecido em 369 regiões de 16 países, incluindo França, Itália, Espanha e Portugal. Diferente do que se imaginava, ele sobrevive a invernos amenos e adapta-se facilmente a climas temperados. Em 2025, a Europa registrou 81 surtos locais de chikungunya, o maior número já documentado no continente, segundo o Centro Europeu de Controlo das Doenças (ECDC).

Há um agravante importante: os europeus não têm imunidade natural contra esses vírus. Isso significa que, quando a doença circula, a população é mais vulnerável a desenvolver formas graves, exatamente o oposto do que ocorre em regiões onde a exposição é histórica. O estudo aponta que, se as temperaturas continuarem subindo e o mosquito seguir se expandindo, dengue e chikungunya podem se tornar endêmicas no sul da Europa.

O Brasil convive com o Aedes aegypti há décadas e ainda busca formas eficazes de controlá-lo. A Europa está apenas no começo desse caminho e os dados mostram que o tempo para agir é agora, não depois do próximo surto.