O que a Indonésia está aprendendo sobre prever os próximos surtos de dengue 

4 de setembro de 2026

Direitos autorais: ©iStock, credito: Sony Herdiana 

Antecipar períodos de maior risco de dengue pode ajudar autoridades de saúde a direcionar melhor suas estratégias de prevenção e controle. Na Indonésia, pesquisadores estão estudando como informações climáticas podem atuar como sinais de alerta meses antes dos períodos de maior transmissão.

Um estudo realizado por pesquisadores da National University of Singapore, da Gadjah Mada University e do Ministério da Saúde da Indonésia analisou os padrões de dengue no país ao longo dos últimos 15 anos. Grandes surtos registrados em 2015, 2019 e 2023 coincidiram com eventos de El Niño e, nos anos em que o fenômeno foi mais intenso, a incidência média de dengue foi 96% maior.

Mas o principal aprendizado vai além da relação entre o clima e a dengue. A análise mostrou que os picos de transmissão não ocorrem simultaneamente em todo o país. Em regiões como Sumatra, os maiores índices foram observados por volta de novembro, enquanto em Java os picos ocorreram entre janeiro e abril.

Com base nesses padrões, os pesquisadores propõem um sistema de alerta em duas etapas: a primeira considera fenômenos climáticos de maior escala para identificar, com meses de antecedência, os anos com maior risco de surtos. A segunda utiliza informações climáticas locais para estimar quando cada região entrará no período de maior risco.

O combate à dengue precisa considerar diferentes fatores ao mesmo tempo: clima, características do território, circulação do vírus, presença de criadouros e períodos de maior risco. Isso reforça a importância de combinar estratégias e ferramentas de forma complementar, considerando as particularidades de cada localidade.

É nesse contexto que tecnologias como a Biotraps podem integrar as estratégias de controle vetorial. Como ferramenta complementar às demais ações de prevenção e controle, a Biotraps amplia as possibilidades de atuação contra o Aedes aegypti e pode ser incorporada conforme as necessidades de cada território.

A experiência da Indonésia reforça a ideia de que ciência, dados e diferentes ferramentas precisam caminhar juntos. Quanto maior a capacidade de compreender os sinais de risco e as particularidades locais, mais estratégicas podem ser as decisões para prevenir e controlar a dengue.