O que a música eletrônica tem a ver com o mosquito da dengue?

16 de janeiro de 2026

Um estudo científico conduzido por pesquisadores da Universidade de Malásia Sarawak apontou que a música eletrônica pode interferir no comportamento do Aedes aegypti. A pesquisa, publicada na revista Acta Tropica, observou que, em ambientes com esse tipo de som, o mosquito apresentou menor atividade alimentar e reprodutiva.

Durante os testes, os insetos expostos à música demoraram mais a localizar um hospedeiro, apresentaram redução na frequência de picadas e menor propensão ao acasalamento. Esses fatores estão diretamente ligados ao risco de transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. A faixa utilizada no experimento foi “Scary Monsters and Nice Sprites”, do artista Skrillex, escolhida por suas variações intensas de ritmo e de frequência sonora.

Apesar de curioso, o estudo não indica que a música eletrônica seja uma solução prática para o controle do mosquito. Os próprios pesquisadores reforçam que se trata de uma observação experimental, que contribui para o entendimento do comportamento do vetor, mas não substitui estratégias comprovadas de prevenção.

“Estudos como esse ajudam a entender melhor o comportamento do Aedes aegypti, mas é importante deixar claro que não existe solução isolada ou curiosa que resolva o problema da dengue. O controle do mosquito exige estratégias contínuas, baseadas em ciência, monitoramento ambiental e ações comprovadas de prevenção, que atuem diretamente na interrupção do ciclo reprodutivo do vetor”, explica Cristiano Fernandes, consultor e diretor técnico da Biotraps Brasil.