Pesquisadores alertam que El Niño pode aumentar casos de dengue no Brasil em 2026

25 de maio de 2026

O El Niño, fenômeno climático que deve se intensificar entre maio e julho de 2026, pode elevar os casos de dengue no Brasil, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Isso porque o fenômeno provoca aumento de chuvas e de temperaturas nessas regiões, criando condições favoráveis para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da zika e da chikungunya.

A preocupação tem base histórica. Em 2024, último ano com atuação do El Niño, o Brasil registrou mais de 6,5 milhões de casos de dengue no Brasil e mais de 6.300 óbitos, o pior resultado desde 2000, com 79,7% das mortes concentradas no Sul e no Sudeste. Uma pesquisa publicada na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases, com dados de mais de 600 municípios paulistas, confirmou que os índices de infestação do Aedes aumentam durante períodos de El Niño porque a chuva multiplica os criadouros e o calor acelera o ciclo de vida do mosquito, que pode passar de ovo a adulto em apenas sete dias.

Além do clima, pesquisadores da Unesp alertam que a circulação simultânea de diferentes sorotipos do vírus e a existência de populações sem imunidade prévia também contribuem para a intensidade dos surtos. Vale ressaltar, o Brasil tem quatro sorotipos do vírus da dengue em circulação, e quem já teve a doença causada por um deles ainda pode ser infectado pelos outros três, em geral com maior risco de desenvolver a forma grave.

O monitoramento contínuo do mosquito é considerado uma das ferramentas mais importantes para antecipar surtos e orientar ações de controle antes que os casos se multipliquem. O diagnóstico precoce também é fundamental: ao primeiro sinal de febre, dores no corpo e dor atrás dos olhos, a recomendação é buscar atendimento médico imediatamente.