
Mais de 77 mil casos e 56 mortes por dengue foram registrados no Sri Lanka até 21 de julho de 2026. O país enfrenta o pior surto da doença em quase uma década, e uma das respostas adotadas ajuda a mostrar como o controle do mosquito precisa acompanhar as mudanças do território.
Parte do aumento de casos foi associada aos efeitos do ciclone Ditwah, que atingiu o país no fim de novembro de 2025. Além dos impactos imediatos, os destroços deixaram novos pontos capazes de acumular água e favorecer a reprodução dos mosquitos.
O desafio, portanto, não era apenas intensificar uma operação já existente. Era localizar criadouros em um ambiente que havia mudado.
Além das inspeções em imóveis e das ações para eliminar focos, o Sri Lanka passou a utilizar drones para localizar água parada em telhados, escolas, construções e outros pontos de difícil acesso. Naquele mês, cerca de 11 mil criadouros foram eliminados e mais de 4 mil propriedades receberam multas pela presença de locais favoráveis à proliferação dos mosquitos.
O episódio chama atenção para um aspecto importante do controle vetorial: os locais de reprodução do mosquito não permanecem os mesmos. Chuvas intensas, eventos climáticos, expansão urbana e características próprias de cada região podem criar novos desafios e exigir diferentes formas de atuação.
No Brasil, um país com características ambientais, urbanas e populacionais muito distintas entre seus territórios, essa capacidade de adaptação também é fundamental. Ao longo dos anos, novas estratégias e tecnologias passaram a complementar as ações já utilizadas no controle do mosquito.
A Biotraps faz parte desse repertório. Sua atuação ocorre em duas frentes: a fêmea adulta entra em contato com o inseticida ao pousar na armadilha e, após a deposição dos ovos, as larvas também são atingidas. Dessa forma, a tecnologia complementa as medidas adotadas em campo e amplia as possibilidades de atuação sobre o Aedes aegypti.
A experiência do Sri Lanka mostra que enfrentar a dengue vai muito além de intensificar ações. Exige reconhecer como o território muda, identificar onde surgem novos pontos de risco e contar com diferentes ferramentas para responder a cada cenário.