
Um levantamento recente do Climate Impact Lab projeta que o calor adicional associado ao atual Super El Niño pode estar relacionado à estimativa de cerca de 451 mil mortes nos próximos meses. O Brasil aparece entre os países mais afetados, com a projeção de aproximadamente 13 mil mortes adicionais por calor.
Para os gestores que atuam nas políticas públicas voltadas ao enfrentamento das arboviroses, o dado ganha outra dimensão quando colocado ao lado da série histórica da dengue. Um estudo conduzido na Indonésia, já abordado aqui no blog, identificou incidência de dengue 96% maior em anos de El Niño forte. Calor intenso, chuvas irregulares e mudanças na disponibilidade de água alteram as condições em que o Aedes aegypti encontra abrigo, alimento e locais para reprodução.
A associação é consistente, mas o El Niño não explica sozinho a ocorrência de surtos. O clima altera o cenário e adiciona novas variáveis a uma gestão que já exige leitura territorial, capacidade operacional e continuidade das ações de controle.
Nesse contexto, ampliar e diversificar as soluções de prevenção ganha peso estratégico. A Biotraps pode compor esse conjunto de soluções de controle de forma complementar às ações já adotadas pelos municípios. Com ativação por água, atua nas fases de ovo, larva e adulto do Aedes aegypti, conforme rotulagem aprovada pela ANVISA, e funciona por até quatro semanas sem manutenção, o que amplia as possibilidades de atuação das equipes em campo.
Mais do que responder a um cenário climático específico, o desafio passa por construir estratégias de controle capazes de se adaptar a diferentes condições do território.